Por que é que o gato anda em círculos antes de se deitar: instinto ou doença?
Este comportamento faz parte da etologia felina. Trata-se de um reflexo atávico, ou seja, herdado diretamente dos antepassados selvagens do gato. Persiste independentemente de qualquer necessidade real no gato doméstico contemporâneo.
Um gato que vive num ambiente doméstico bem cuidado anda em círculos antes de se deitar, mesmo sem qualquer predador à vista. Este gesto não é aprendido: está enraizado na biologia profunda do felino. Aplica-se tanto a gatinhos como a gatos adultos, independentemente da raça.
A intensidade varia de indivíduo para indivíduo. Alguns gatos fazem uma rotação rápida e deitam-se imediatamente. Outros dão três a cinco voltas completas antes de encontrar a posição perfeita. O número de rotações não tem qualquer significado particular.
Os cães fazem exatamente o mesmo, pelas mesmas razões evolutivas. Esta semelhança entre duas espécies muito diferentes confirma a origem instintiva profunda deste ritual. Este comportamento é comum a todos os carnívoros domésticos descendentes de predadores selvagens.
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As 5 razões pelas quais o seu gato anda em círculos antes de dormir
Detectar predadores e posicionar-se na direção certa do vento
Os felinos selvagens não escolhiam o local de descanso ao acaso. Antes de se deitarem, identificavam a direção do vento para captar os odores dos predadores que se aproximavam. Andar em círculos permitia-lhes testar várias orientações antes de se fixarem.
A posição final garantia um olfato eficaz e uma linha de fuga desobstruída. Um mau posicionamento podia custar a vida ao animal na natureza. Esta escolha tática era fundamental para a sobrevivência da espécie.
O gato doméstico reproduz este ritual por puro instinto, mesmo num apartamento perfeitamente seguro. Este comportamento de sobrevivência está enraizado na estrutura neurológica do felino há milénios. Por isso, é perfeitamente normal observar estas algumas rotações na sua sala de estar.
Criar um ninho confortável: a herança dos gatos selvagens
Na natureza, os gatos dormiam sobre erva alta, folhas secas ou terra solta. Girar em círculos servia para achatar a vegetação e cavar uma depressão confortável para o corpo. Este gesto reduzia os pontos de pressão num terreno naturalmente irregular.
As gatas grávidas utilizavam este mesmo movimento para preparar um ninho antes de dar à luz. Elas moldavam a superfície para proteger os recém-nascidos do vento e do frio. O gato doméstico reproduz este comportamento em cobertores, almofadas ou qualquer superfície macia disponível.
Não é raro um gato ajeitar a sua cama antes de se deitar — mesmo que esta já parecesse perfeitamente arrumada. Este gesto não é um ato destrutivo de arranhar. É uma construção instintiva de um ninho, herdada diretamente do comportamento selvagem.
Regular a temperatura antes de adormecer
A regulação térmica era um desafio constante para os felinos selvagens. Em dias frios, andar em círculos permitia enrolar-se mais facilmente em bola antes de adormecer. Esta posição — cauda enrolada à volta do corpo, patas dobradas — minimiza eficazmente as perdas de calor.
Em dias quentes, aplicava-se o mecanismo inverso. Os gatos reviravam a camada superior de terra para expor a zona fresca situada por baixo. Este reflexo é o equivalente exato a virar a almofada para encontrar o lado fresco.
O gato doméstico ainda reproduz esta tática no dia a dia. Ele mexe nos cobertores ou raspa a almofada antes de encontrar a posição térmica ideal. Uma cesta para gatos adaptada à estação — respirável no verão, isolante no inverno — reduz naturalmente a duração deste ritual e melhora a qualidade do descanso do seu animal.
Afastar parasitas e pequenos animais escondidos na sua cama
Os gatos selvagens tinham de inspecionar cuidadosamente o local antes de se deitarem. Cobras, aranhas ou insetos grandes podiam esconder-se na vegetação densa. Andar em círculos e pisar a superfície permitia desmascará-los antes de se exporem.
O gato doméstico reproduz este comportamento de verificação por puro reflexo, mesmo sobre uma almofada limpa e lavada. Não é sinal de infestação nem de um problema de higiene na sua casa. Trata-se de um comportamento de precaução que se tornou obsoleto, mas que continua ativo do ponto de vista neurológico.
Alguns gatos são mais meticulosos do que outros nesta inspeção pré-sono. Fazem mais rotações e examinam a superfície durante mais tempo antes de se instalarem nela. A intensidade deste ritual varia de acordo com a personalidade de cada animal.
Marcar o território antes de descansar graças às glândulas das patas
Os gatos possuem glândulas olfativas situadas sob as almofadas das patas. Estas glândulas libertam feromonas a cada contacto com uma superfície. Ao andar em círculos, o gato deposita essas feromonas em toda a zona de descanso escolhida.
O local torna-se assim um território marcado quimicamente, reconhecível apenas pelo felino. Este mecanismo explica por que razão um gato prefere frequentemente uma almofada velha e gasta a uma cesta para gatos novinha em folha: o suporte familiar está impregnado das suas próprias feromonas, o que o torna instintivamente mais seguro.
Esta marcação olfativa é invisível para o ser humano, mas muito precisa para o gato. Está intimamente ligada ao ato de amassar, que cumpre uma função olfativa semelhante. Ambos os comportamentos fazem parte do mesmo ritual pré-sono do felino.
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Gato que anda em círculos constantemente: é motivo de preocupação?
Gato que anda em círculos constantemente e miando: causas médicas a conhecer
Um gato que anda em círculos apenas antes de dormir não apresenta qualquer sinal patológico. Por outro lado, um gato que anda em círculos de forma compulsiva, sem conseguir parar, representa um sinal de alerta grave. Este comportamento pode indicar um problema neurológico ou vascular que requer atenção veterinária imediata.
Há três causas médicas principais a ter em conta. Em primeiro lugar, uma lesão neurológica, como um tumor cerebral ou uma encefalopatia. O gato parece confuso, pode tornar-se subitamente agressivo ou ficar imóvel em certas posturas invulgares.
Em segundo lugar, uma lesão no ouvido interno ou um problema vascular cerebral. O gato inclina a cabeça para um lado constantemente, perde o equilíbrio e gira sistematicamente na mesma direção. Os seus olhos podem apresentar movimentos oscilantes involuntários chamados nistagmo.
Em terceiro lugar, uma infeção do ouvido médio pode afetar o sistema vestibular e produzir sintomas semelhantes. É indispensável um diagnóstico veterinário para distinguir estas diferentes origens. Não se deve confundir estes sinais com o ritual natural antes de dormir descrito anteriormente.
Por que é que o meu gato idoso anda em círculos à noite?
Síndrome de disfunção cognitiva (SDC): distúrbio neurológico progressivo do gato idoso, equivalente felino da doença de Alzheimer. Afeta cerca de 28% dos gatos com idades entre os 11 e os 14 anos e mais de 50% dos gatos com 15 anos ou mais. Os seus principais sinais são as deambulações noturnas, a desorientação e os miados intensos.
Em gatos com mais de 12 anos, este comportamento noturno deve alertar para a síndrome de disfunção cognitiva (SDC). Esta síndrome é o equivalente felino da doença de Alzheimer. Resulta de uma degradação progressiva das funções cognitivas associada ao envelhecimento cerebral.
Cerca de 28% dos gatos com idades entre os 11 e os 14 anos apresentam pelo menos um sinal clínico de SDC. Este número ultrapassa os 50% nos gatos com 15 anos ou mais. Estes dados provêm de estudos veterinários disponíveis sobre o comportamento felino sénior.
Os sintomas da SDC são identificáveis com atenção. Incluem deambulações noturnas sem direção precisa, miados intensos e repetidos durante a noite e desorientação num ambiente familiar. Os ciclos de vigília e sono são perturbados e o apetite pode ser alterado.
O gato pode parecer não reconhecer mais certos espaços do seu próprio território. Pode ficar a olhar fixamente para o vazio durante vários minutos sem reagir ao seu ambiente. Estes episódios podem alternar-se com momentos de aparente normalidade que dão uma falsa sensação de segurança.
Estes sintomas não são uma fatalidade associada à idade. Podem ser significativamente atenuados por um tratamento veterinário adequado. Patologias frequentes em gatos idosos, como a hipertensão ou a hipertiroidismo, agravam a SDC e são tratadas eficazmente uma vez diagnosticadas.
Tédio e subestimulação: quando o comportamento se torna obsessivo
Um gato insuficientemente estimulado pode desenvolver comportamentos repetitivos chamados estereotipias. Andar em círculos de forma excessiva, lamber-se compulsivamente ou comer freneticamente são as manifestações mais frequentes. Estes comportamentos instalam-se progressivamente ao longo de várias semanas.
Tornam-se difíceis de corrigir se não forem tratados atempadamente. O enriquecimento ambiental é a principal resposta recomendada pelos especialistas em comportamento felino. Sessões de brincadeiras interativas de, pelo menos, dez a quinze minutos por dia são suficientes para reduzir estes comportamentos.
Um distribuidor de ração em forma de puzzle colocado todas as noites num canto discreto da sala: o seu gato mantém a mente ocupada, gasta a sua energia e recupera um ritual pré-sono calmo e natural.
A rotação regular dos brinquedos disponíveis mantém o interesse do gato ao longo do tempo. Um distribuidor de ração para gatos adequado estimula as capacidades cognitivas e canaliza os comportamentos compulsivos associados ao tédio. Um gato suficientemente estimulado regressa espontaneamente a um ritual circular natural e limitado antes de dormir.
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Gato que anda em círculos: quando consultar o veterinário?
Um gato que dá algumas voltas na sua almofada antes de dormir não necessita de qualquer consulta. Este comportamento faz parte integrante do ritual natural de adormecimento do felino. Por outro lado, alguns sinais específicos justificam uma avaliação veterinária imediata.
Eis as situações que devem alertar:
O gato gira sempre no mesmo sentido e não consegue parar sozinho
• A cabeça está permanentemente inclinada para um lado
Os olhos apresentam movimentos oscilatórios involuntários (nistagmo)
• Surgiram recentemente miauidos noturnos intensos e persistentes
• O gato parece desorientado no seu ambiente habitual
O comportamento surgiu repentinamente num gato adulto ou idoso
Uma perda de apetite ou de peso está associada ao comportamento
Estes sinais, isolados ou combinados, indicam um problema neurológico, vascular ou cognitivo. É necessário um diagnóstico preciso para identificar a causa e adaptar o tratamento. Quanto mais precoce for o tratamento, mais numerosas e eficazes serão as opções terapêuticas disponíveis.
Uma análise ao sangue de rotina permite frequentemente detetar distúrbios metabólicos associados. O exame neurológico orienta-nos, em seguida, para uma imagiologia cerebral, se necessário. Estes exames estão disponíveis na grande maioria dos consultórios veterinários.
Ofereça ao seu gato um ambiente sempre limpo, saudável e agradável, sem esforço. Uma almofada lavável, uma cesta com design minimalista, uma fonte de água de fácil manutenção: os acessórios certos fazem toda a diferença para o conforto do seu gato e a tranquilidade do seu lar.
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